Computação em nuvem, mobilidade e Big Data são alguns dos conceitos que transformaram a dinâmica da sociedade nas últimas décadas. Com eles, mudou-se a forma de pensar as relações de trabalho, a comunicação entre empresa e consumidor e até as interações entre indivíduos.

Diante desse cenário, não faria sentido que apenas a sala de aula se mantivesse estática, usando os mesmos métodos pedagógicos que eram usados há 100 anos, concorda? E é aqui que entra o ensino híbrido.

O perfil do estudante universitário dos anos 1950, por exemplo, é diferente do que compõe a geração digital (geração Y e, principalmente, geração Z). Ora, se o aluno mudou, é preciso que escolas e universidades se adaptem às novas demandas, utilizando novas ferramentas e processos de ensino inovadores.

Essa é a raiz do ensino híbrido, que vem sendo cada vez mais usado nas instituições de ensino norte-americanas, que começa a ser trazido também ao Brasil e que se faz especialmente importante na formação do estudante de pedagogia. Saiba mais sobre esse assunto a seguir:

O ensino híbrido

Tradução livre para a expressão inglesa “blended learning” (algo como “ensino mesclado”, tomado ao pé da letra), a educação híbrida combina as vantagens do ensino on-line e off-line, formando uma complexa rede personalizada de acompanhamento do aprendizado para além dos muros da instituição.

Essa estratégia tem apresentado resultados muito superiores às metodologias pedagógicas puramente presenciais, conforme dados das muitas escolas e universidades norte-americanas que já adotaram essa estrutura.

Ensino híbrido é muito mais do que a inserção do computador no processo de aprendizagem. Envolve um realinhamento metodológico completo na instituição de ensino, que impacta a ação do professor e exige que toda a dinâmica da sala de aula seja alterada, criando um ambiente off-line que ofereça suporte ao aprendizado no ambiente virtual. E vice-versa. As palavras aqui são “integração” e “personalização de ensino”.

Aliás, personalização é a maior vantagem desse método sobre as aulas tradicionais. O formato presencial, em que o professor é apenas um “declamador de conteúdos”, ignora as particularidades cognitivas de cada estudante — falha grave que resulta na não exploração das potencialidades de cada estudante. O ensino híbrido tem por objetivo corrigir esse equívoco.

Os pontos fortes dos métodos on-line e off-line
As vantagens dos cursos presenciais
  • Interação entre estudantes e compartilhamento do saber;
  • estímulo ao trabalho em equipe;
  • possibilidade do aprofundamento do assunto pela prática da discussão, “ao vivo e a cores”;
  • maior interação entre professor e aluno, decorrente das trocas proporcionadas pela proximidade física.
As vantagens do ensino a distância
  • Proporciona um espaço intimista de reflexão do conteúdo, sem interferências externas e dispersões que ocorrem com frequência em sala de aula;
  • desenvolve a capacidade de auto-organização do aluno;
  • garante maior flexibilidade para aquisição do conhecimento, de acordo com o tempo disponível e os métodos de estudo mais adequados a cada estudante (flexibilidade para estudar on-line onde, quando e como quiser);
  • reduz a necessidade de deslocamentos à universidade (fundamental especialmente a estudantes que precisam conciliar estudos e filhos, possuem empregos de alto nível de exigência, dificuldades de locomoção etc.);
  • permite o monitoramento do professor com relação ao desempenho do estudante na resolução dos exercícios propostos, o que permite ajustar o método pedagógico de acordo com as necessidades do grupo.

Agora imagine um método na área de pedagogia que consiga congregar todas essas vantagens? Bem-vindo à era do ensino híbrido!

A personalização na Pedagogia

A grande sacada da educação multicanal é monitorar como o estudante responde às palestras em sala de aula e às atividades propostas no ambiente virtual, algo muito difícil de ser feito no método tradicional, que possuía apenas as provas para fazer essa avaliação.

Na educação híbrida, esse acompanhamento é diário, feito pelo professor por meio da área exclusiva do aluno no site da universidade. No caso de um curso de Pedagogia, por exemplo, o docente pode acessar o perfil de cada aluno e visualizar como tem sido seu desempenho nas atividades propostas. Em disciplinas como Filosofia da Educação, Didática, Sociologia da Educação e Pesquisa e Prática Pedagógica, é possível avaliar o nível de reflexão e absorção dos conteúdos individualmente, o que subsidiará as próximas aulas em sala.

O sistema da universidade que atua nesse formato apresenta ainda a possibilidade de trabalho com indicadores, exibindo gráficos e relatórios para mostrar ao corpo docente quais são as dúvidas mais comuns dos alunos e quais atividades de reforço podem ser elaboradas para suprir esses gaps.

Percebeu quanto a tecnologia pode fortalecer a dinâmica e a efetividade das aulas presenciais? Mas há ainda outra vantagem bastante peculiar dessa metodologia, que veremos agora.

A flipped classroom na Pedagogia

Flipped classroom (traduzido para o português como “aula invertida”) é uma abordagem no processo de ensino que constitui a base da metodologia pedagógica na educação superior britânica e norte-americana e que também costuma ser usada na educação semipresencial.

Como o nome sugere, trata-se de um plano de ensino em que a lógica da organização em sala é invertida: em vez de ir à aula sem qualquer conhecimento sobre o assunto que será tratado e esperar passivamente que o professor derrame sobre si toneladas de conteúdo para, só então, ir para casa exercitar o que foi transmitido em aula, o aluno deve absorver preliminarmente os textos e atividades disponibilizadas (reflexão individual) para, em seguida, levar à sala de aula o assunto para ser debatido e aprofundado com a presença do professor.

Imagine um aluno de Pedagogia que tenha, na próxima aula, um debate sobre os instrumentos simbólicos de Vygotsky ou sobre A Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. Em qual formato esse debate será mais útil? No primeiro, em que o aluno chega para a aula sem nenhuma informação, o no modelo “aula invertida”?

Essa mesma lógica pode ser aplicada na atuação dos futuros professores no ensino fundamental e médio, estratégia que melhora a qualidade das aulas presenciais, aumenta a participação dos alunos em sala e amplia exponencialmente a retenção do conteúdo. Eis mais uma vantagem que quem frequenta aulas apenas presenciais não pode usufruir.

Os benefícios da tecnologia na educação

Dados levantados pelo Inep há alguns anos revelaram que os alunos oriundos de ensino a distância apresentam desempenho superior de aproximadamente 6,7 no Enad em relação aos que frequentam cursos exclusivamente presenciais. Seguindo uma tendência mundial, muitas empresas brasileiras começam também a dar preferência a estudantes que cursaram/cursam ao menos parte de seus cursos na modalidade on-line. Isso porque a capacidade de estudar no ambiente virtual indica autodisciplina, virtude extremamente valorizada no mercado.

Outra razão que explica essa preferência é que os alunos que ainda estão na universidade e estudam ao menos parcialmente no ambiente virtual possuem maior flexibilidade de horários. Uma graduação ou pós-graduação híbrida é uma oportunidade de agregar essas vantagens valorizadas pelo mercado de trabalho, sem perder a chance de manter contato presencial com professores e alunos.

%d blogueiros gostam disto: